a partida

Contei os dias pra chegada, mas fiz questão de não saber quantos faltavam pra partida. Aproveitei cada minuto como se estar junto fosse a regra e não a exceção. Com o Dudu por perto, sinto uma alegria que vem de dentro - capaz de transformar os momentos mais simples em especiais. Ando saltitando, canto no chuveiro e durmo um sono tranquilo.

Um dia percebemos que só nos restava uma semana. Os abraços ficaram mais apertados, os beijos mais apaixonados e os silêncios mais longos. A mala aberta no canto do quarto não me deixava esquecer que íamos nos separar mais uma vez. Me agarrei às roupas dele dobradas em cima da cama e chorei.

No caminho pro aeroporto, as lágrimas vinham sem que as chamasse. Como uma criança mimada, implorei: "Não vai, por favor, não vai...". Mas ele foi. Tinha que ir. Nossos olhares se acompanharam até sumir pelo portão de embarque. E eu fiquei ali, sozinha, com um vazio enorme no coração. Às vezes é tão difícil lembrar do porquê da distância...

Naquela mesma noite, voltei pro quarto que dividimos durante dois meses e sabia que essa ia ser a pior parte - estar sem ele onde estivemos juntos. Dias depois, li escrito no banheiro do lugar que trabalho: "Não fiquei triste porque acabou, fique feliz porque aconteceu". É, aconteceu. E foi um dos melhores acontecimentos da minha vida. :)