maio e a felicidade

Assim que estacionei na garagem do prédio, uma música que gosto tocou no rádio. Sem pensar, desliguei o carro e aumentei o som. Cantei sozinha, bem alto e desafinada, com os olhos fechados e as mãos dançando no ar. Senti cada nota vibrar dentro de mim. Não existia tempo nem espaço, só sensações - e eram deliciosas. 

Maio foi assim: repleto de momentos tão insignificantes quanto especiais. O Dudu está no fim do mestrado e por isso quase não saímos de casa. Achei que sentiria falta dos passeios, mas descobri que a cozinha guarda tantas aventuras quanto uma trilha inexplorada - e que quando acabam as receitas, ainda tenho as lãs, os livros e os filmes para desbravar.

Em maio, lembrei que a felicidade está a um pensamento de distância: aquele em que escolho ser feliz. Parece simples e óbvio, mas nem sempre é. Ser feliz é uma escolha que demanda vontade, desprendimento e confiança - e nesse último ainda tenho bastante que trabalhar.

Às vezes é difícil confiar na vida quando há injustiça, doença, violência e tragédia. Sei que minha felicidade não resolve os problemas do mundo, nem me livra dos meus - mas também sei que é a melhor versão de mim que posso oferecer, a mim e aos outros. Afinal, ser feliz não é ser acomodado, é ter ainda mais forças para lutar. 

Em maio, perdi a conta de quantas vezes espantei a raiva e o medo apenas com um pensamento positivo. Mesmo quando a realidade é difícil - e as notícias, apavorantes -, o caminho do bem continua dentro de nós. Os desafios sempre existirão, basta escolher como enfrentá-los. Eu prefiro sorrindo.

amor jovem

Quando namorávamos há cinco anos, decidimos fazer intercâmbio. Optamos por países diferentes: eu pela Espanha e o Dudu por Portugal. Parecia o mais sensato a fazer, afinal, dizem que é preciso estar sozinho para curtir a juventude - e estar longe era o mais próximo disso que conseguíamos imaginar.

Só não contávamos com o detalhe que nos encontraríamos todo fim de semana. Cruzávamos fronteiras para estar juntos uma noite, e eu chorava desoladamente a cada despedida. No fim das contas, atravessamos o oceano para descobrir o óbvio: que só cabe a nós opinar sobre o que é nosso.

Nunca saberemos como seria se não tivéssemos nos encontrado ainda na escola. Talvez sairíamos mais, conheceríamos mais pessoas, viveríamos mais aventuras. Com certeza, não teríamos tido tanto amor - um amor que nasceu cedo, mas que cresce a cada dia, todos os dias. 

dia das mães

O Dia das Mães começou como pede a tradição: tomando café da manhã na cama da minha mãe. Às 10h, eu e minhas irmãs subimos as escadas carregando pães, biscoitos e suco - em direção ao quarto da mulher mais importante da nossa vida. 

Comemos lambuzando os dedos enquanto fazíamos planos pro dia. A Nina pegou sua flauta transversal, guardada há meses, e tocou uma das músicas mais bonitas já compostas, deixando todos emocionados. Almoçamos na beira da lagoa, numa mesa embaixo de uma árvore. À noite, fomos ao cinema assistir à um documentário sobre o começo da vida.

O dia foi tão bom que dormi com a sensação de ter recebido um presente - e realmente recebi: uma mãe maravilhosa que tanto amo e admiro. <3