por mais leveza

Assim como estou tentando deixar a poeira acumular nos cantos da casa, vou me esforçar para encarar o blog com mais leveza. Passar aspirador três vezes ao dia é tão cansativo quanto preparar meticulosamente cada foto e texto que posto por aqui.

Não faz sentido que o que me traz tanto prazer seja fonte de tanta cobrança. E, no fim das contas, a quem estou querendo agradar? A mim mesma? Então declaro que o nível de exigência desce e o de espontaneidade, liberdade e felicidade sobem. Viva!

Nada melhor pra começar a nova fase que com um post-meme. Fui indicada pela querida Bá Moretti para responder oito perguntas por escrito. Nunca participei de correntes virtuais, mas sempre achei tão divertidas! Aí vai:

As perguntas eram: 
1. Qual é o seu nome?
2. URL do seu blog
3. Escreva: ‘The quick brown fox jumps over the lazy dog’
4. Citação
5. Música favorita (no momento)
6. Cantor/Banda favorita (no momento)
7. Diga o que quiser
8. Indique 3 blogs

E, pra reforçar o desafio de ser mais leve, termino o post com uma foto da sujeira que não vou limpar hoje!

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de mudança (outra vez)

Tropeço no varal a caminho da janela - na ausência de lavanderia, as roupas secam no quarto, num espaço apertado entre a cama e o armário. Na cozinha, preparo o café em cima da máquina de lavar e, no box, tomo banho rodeada de baldes, esponjas e panos de chão. No meio da tarde, o sol que entra é tão forte que me pergunto se trabalhar em casa foi mesmo uma boa ideia. À noite, o cheiro de fritura do vizinho sobe pelo fosso e, de madrugada, rolo na cama insone pelo barulho da avenida. Mas nada é mais provocador que o forno - que apaga sozinho, destruindo receitas e testando nossa paciência. 

Estamos de mudança, e, se um dia desejei sair desse apartamento, hoje só consigo pensar no quanto ele me fez feliz. Essa manhã me dei conta que nunca mais vou morar aqui e me arrependi de ter reclamado de problemas tão pequenos. Peguei a câmera e registrei cada cantinho, enquanto chorava de culpa e saudades. 

Aqui vivemos momentos maravilhosos, mas são os mais simples que não quero esquecer: o beijo que o Dudu me dá antes de ir trabalhar; as danças no meio da manhã com a Matilda; o almoço que cozinho sozinha, orgulhosa da minha evolução; os jantares que preparamos juntos, bebendo vinho e ouvindo música; o dia que termina com nós três dormindo no sofá.

Quando mudamos pra cá, apelidamos esse apartamento de ovinho, por ser todo branco e muito apertado. Hoje as paredes estão cheias de cores, e as lembranças são tantas que os cômodos parecem enormes. Sempre soubemos que seria temporário, mas é impossível não sentir a dor da despedida. Esse sempre será o nosso primeiro lar.

Adorei relembrar algumas das últimas mudanças: aquiaqui, aqui e aqui.

manhãs de sábado

(coletânea de fotos das últimas manhãs de sábado)

Acordo com o peso da Matilda no cobertor. Mesmo aos sábados, o Dudu sai cedo da cama, mas ela fica ali - esperando eu levantar. Assim que abro os olhos, se arrasta até mim para lamber meu rosto. Faço carinho em sua barriga e curtimos juntas mais alguns minutos de preguiça.

O Dudu serve minha xícara de café e me entrega com um beijo. Na cozinha, preparo tapioca, ovo, suco, ou o que der vontade - enquanto ele lava a louça acumulada. Colocamos música e não demora para eu começar a dançar. Seguimos a arrumação rindo dos meus movimentos improvisados.

Raramente comemos na mesa: o Dudu gosta de passear pelos cômodos e eu de sentar no tapete onde bate sol. Já a Matilda continua seu sono no sofá. Lemos revistas, mexemos no celular, ou terminamos o filme da noite anterior. No sábado de manhã tem o que quisermos, menos mau humor.

Não sei porque gosto tanto dessas poucas horas em que fazemos nada - mas um nada que é o bastante. Talvez seja a paz, o aconchego e a sensação de ter tudo que preciso. Não importa o que acontece no fim de semana, é sempre difícil superar a delícia das manhãs de sábado.